Notícias
Fertilidade em Mulheres
Para as mulheres, fertilidade significa a habilidade de engravidar e ter um bebê. Os anos
reprodutivos da mulher começam quando ela inicia seus ciclos menstruais durante a puberdade
(em torno de 13 anos). A capacidade de ter um filho usualmente acaba em torno dos 45 anos de idade,
embora seja potencialmente possível para uma mulher engravidar até que seus ciclos menstruais
cessem com a menopausa (por volta dos 51 anos).
Quando um bebê do sexo feminino nasce, já tem em seu corpo cerca de 400.000 ovos imaturos (oócitos).
Eles são armazenados em seus ovários em sacos muito pequenos, cheios de fluido, chamados folículos.
Quando ela entra na idade reprodutiva, começa a ter ciclos menstruais mensais. Durante cada ciclo, o
ovário libera um ovo (ou, menos comumente, mais do que um), que pode vir a juntar-se com o
espermatozóide de um homem e dar início a uma gravidez.
O desenvolvimento e a liberação do ovo dependem de um delicado equilíbrio de hormônios: substâncias
químicas que sinalizam para que os órgãos do corpo realizem determinadas atividades. Alguns desses
hormônios são produzidos nos ovários. Outros provêm de duas glândulas situadas no cérebro, o
hipotálamo e a pituitária.
Fertilidade em Homens
Para os homens, fertilidade significa a habilidade de engravidar uma mulher. Para fazer isso, o sistema reprodutivo do homem precisa produzir e armazenar espermatozóides. Ele também necessita transportar os espermatozóides para fora do corpo, de modo que eles possam entrar no trato reprodutivo da mulher.
Os órgãos que produzem os espermatozóides são chamados testículos. Normalmente, um homem tem dois testículos, localizados no escroto, bolsa de pele que fica atrás do pênis. Cada um é chamado testículo. No interior de cada testículo há muitos órgãos delicados, denominados túbulos seminíferos. É aí onde os espermatozóides se desenvolvem.
Diferentemente da mulher , que já nasce com todos os ovos que terá em sua vida, um homem produz novos espermatozóides continuamente. Quando um indivíduo do sexo masculino passa pela puberdade, seu estoque de espermatozóides é renovado a cada 72 dias aproximadamente.
Infertilidade é a capacidade diminuída ou ausente de gerar uma prole. O termo não implica a completa inabilidade para ter filhos e não deve ser confundido com esterilidade. Os clínicos introduziram elementos físicos e temporais na definição de infertilidade. Infertilidade é, portanto, freqüentemente diagnosticada quando, após um ano de relações sexuais não protegidas, não ocorre a concepção.
A Linguagem da Fertilidade
- Fertilização: contacto entre espermatozóide e ovo, determinando sua união.
- Concepção: o início da gravidez.
Gravidez: a condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
Segundo o médico Raul Nakano, diretor clínico da Ferticlin e especialista em reprodução humana
pelas universidades de Keio e Kanazawa, no Japão, preservar a fertilidade de mulheres ainda em idade
fértil (entre 20 a 37 anos) para postergar a maternidade vem se tornando mais freqüente em clínicas
de reprodução humana, principalmente após o avanço que as técnicas têm apresentado. “Até alguns
anos atrás era difícil recuperar o óvulo de maneira íntegra, pois as organelas internas eram danificadas
após o ato do congelamento/descongelamento pela formação de Cristais de gelo, o que reduzia
consideravelmente as chances de sucesso na fertilização. Com as novas técnicas, o
proceso de congelamento/descongelamento tem uma recuperação próxima de 95% dos óvulos”, salienta
dr. Nakano.
Sem polêmica
Diferente do congelamento de embriões, muito discutido nos dias de hoje por envolver questões
éticas, religiosas, legais e filosóficas, o método de congelamento de óvulos não alimenta polêmica.
Congelado sozinho, o óvulo é apenas uma célula reprodutora e não uma vida como no caso do
embrião. Ainda no aspecto legal, evita problemas com conflitos judiciais no caso de separação
do casal. Elimina também a possibilidade de descarte de embriões quando é feita a inseminação
de 4 em 4 óvulos, assim como a gravidez de múltiplos no caso de inseminação de 2 em 2 ou óvulos.
 |
Dieta e infertilidade: Alimentar-se apropriadamente melhora as suas chances
Você não pode alimentar-se do seu jeito visando à fertilidade, mas alimentar-se bem e manter-se
com um peso saudável pode fazer a diferença. Cerca de 12% dos casos de infertilidade são decorrentes
de mulheres que têm um peso muito alto ou muito baixo de acordo com o RESOLVE, a Associação Nacional
Americana de Infertilidade ( American National Infertility Association).
Então, quais são as boas notícias? Seguir umas poucas regras, simples, de bom senso, para uma boa
nutrição, pode realmente melhorar suas chances de conceber.
Comece comendo mais vegetais e frutas frescas. Isso ajuda de dois modos:
- Você naturalmente consumirá menos calorias
- Você aumentará a ingestão de nutrientes dos quais seu corpo necessita
Comer frutas como sobremesa é um bom começo!
Segundo, eliminar o álcool. Mesmo beber de forma leve pode prejudicar a concepção, e como você
sabe, se você conceber, o álcool pode causar danos ao feto. Além disso, pense nas calorias que você está
eliminando!
Alguns estudos associaram cafeína e infertilidade, mas os mais recentes indicam que o consumo moderado
– até cerca de três xícaras de café ao dia – não deve causar problemas.
Se você tem um distúrbio de alimentação, tal como anorexia, bulimia ou compulsão para comer,
diga ao seu especialista em fertilidade. Essas condições podem prejudicar suas chances de conceber.
Se você está fazendo uma dieta para perder peso, fale com seu médico a respeito de encontrarem uma
dieta que não seja tão restritiva. Perder peso é uma meta louvável, mas uma dieta extremamente
restritiva pode prejudicar sua fertilidade. Sendo assim, não prive a você mesma disso.
Apenas coma bem!
 |
Condicionamento Físico e Fertilidade: Fazendo o trabalho de conexão para você
Você sabia que exercícios fazem bem para sua saúde física e mental; mas, você sabia que exercícios moderados podem ajudá-la a conceber?
Os exercícios ajudam a reduzir a gordura corporal , o que pode fazer uma grande diferença para algumas
mulheres.
A conexão gordura/estrógeno/fertilidade é clara
Como cerca de 30% do estrógeno provêm de células de gordura, muita gordura – ou muito pouca – pode alterar o equilíbrio hormonal, reduzindo suas chances de conceber. Um nível de gordura corporal apenas 10%-15% acima ou abaixo do normal pode contribuir para a infertilidade.
Exercícios moderados, regulares, podem queimar o excesso de gordura, contribuindo para a fertilidade, níveis de energia e saúde cardíaca. Se você não se exercita regularmente, comece aos poucos, fazendo da atividade parte da sua rotina diária. Eventualmente, você pode desenvolver uma rotina regular. Trinta minutos por dia, 4-5 dias por semana, podem fazer a diferença em relação aos seus níveis de gordura.
Não fique fascinada demais!
Exercícios vigorosos em excesso também podem prejudicar a fertilidade. Assim, exercícios de baixo impacto são os ideais. Se você corre ou faz outras atividades aeróbicas de alto impacto, pergunte ao seu médico se você precisa parar com elas.
Um último pensamento
Não é sobre culpa. Numerosos fatores estão envolvidos em infertilidade, de modo que não se culpe se você levou
uma vida sedentária. Veja isso como uma oportunidade de aumentar sua probabilidade de conceber enquanto
melhora sua saúde.
 |
As causas de infertilidade em mulheres
Vamos observar as causas de infertilidade em mulheres, que podem tomar muitas formas.
Uma questão que fica na base de um espectro de causas é a idade. No entanto, as causas diretas de infertilidade feminina subjacentes encontra-se em quatro categorias principais:
Gráfico mostrando a incidência percentual de causas de infertilidade

 |
Hoje, há um amplo espectro de ajuda médica que pode ser oferecida aos casais inférteis. Nos últimos cinco a dez
anos, tem havido uma explosão de novas informações a respeito de infertilidade e grandes avanços no
tratamento pró-fertilidade. Essas novas terapias, todas comentadas neste site, incluem avanços em tratamento hormonal, uma maior aceitação de inseminação com doador, o desenvolvimento de inseminação intra-uterina (intrauterine insemination, IUI) e avanços em microcirurgia e cirurgia a laser.
No entanto, os avanços mais importantes têm ocorrido em técnicas de reprodução assistida (assisted
reproductive technology, ART). ART inclui fertilização in vitro (in vitro fertilisation, IVF), transferência
intrafalopiana de
gametas (gamete intra-fallopian transfer, GIFT), transferência intrafalopiana de zigoto (zygote intrafallopian transfer, ZIFT) e injeção intracitoplasmática de espermatozóides (intracytoplasmic sperm injection,
ICSI). Progresso também tem sido feito no sentido de compreender o impacto psicossocial da infertilidade e na
ajuda a casais a lidar com as suas preocupações e emoções através do contato com outros casais inférteis, com grupos de apoio e de aconselhamento.
Entretanto, a sociedade parece ambivalente no que se refere à aceitação da infertilidade como um problema de
saúde legítimo. Na Europa, a disponibilidade de tratamento de infertilidade é freqüentemente limitada por questões monetárias ou sujeita a variações na aceitabilidade e/ou acessibilidade do mercado regional. O uso de doadoras de ovos ou espermatozóides e de mães substitutas criou grande preocupação e ainda é motivo de debates
acalorados
e o uso de algumas formas de ART, tais como criopreservação, tem sido questionado. A
criopreservação é aceita em alguns países, mas proibida em outros. Provavelmente, nenhum outro procedimento médico foi submetido a tão intenso julgamento religioso, moral e social, como a reprodução assistida.
 |
Infertilidade: O que Todos os Homens Devem Saber
A dificuldade para conceber surpreende a maioria dos casais. Muitos não têm história médica sugestiva de
problema
de fertilidade e podem, de fato, ter desperdiçado anos tentando evitar engravidar. Eles assumem que uma vez suspensas as medidas de controle de natalidade, a concepção logo ocorrerá. Se por um lado isso é verdadeiro para muitos casais, outros descobrem que ter um bebê não é tão simples quanto esperavam.
A infertilidade tem a mesma probabilidade de estar relacionada a fatores masculinos que a fatores femininos.
Fatores masculinos potenciais são descritos ao longo de toda esta seção do site. Qualquer que seja a causa, lidar
com a infertilidade nunca é fácil. Muitos homens se sentem roubados no que se refere à sua virilidade quando descobrem um problema de fertilidade, e alguns lutam com sentimentos de baixa auto-estima. Essas respostas são normais. A chave para superar essa situação é o apoio mútuo no âmbito de um relacionamento. Quer a dificuldade para conceber esteja relacionada a fatores masculinos, a fatores femininos ou a ambos, a infertilidade é um
desafio compartilhado pelo casal.
Cerca de 85% a 90% das causas de infertilidade podem ser tratadas com terapias convencionais, como
medicações
ou cirurgia. As taxas de sucesso estão continuamente melhorando. Use as informações existentes
como um
ponto de partida para conversar com seu médico a respeito do melhor plano de ação no seu caso.
 |
segundo uma pesquisa da Universidade de Sheffield, na Inglaterra.
Atualmente, um em cada sete casais do continente tem problemas para conceber naturalmente, mas segundo o professor Bill Ledger, que liderou o estudo, esse índice pode subir para um em cada três casais.
aso.O professor disse a membros da Conferência Européia da Sociedade de Reprodução Humana e Embriologia, na Dinamarca, que as mulheres devem ter a chance de interromper a carreira para que possam conceber mais cedo, quando são mais férteis.
Horas de trabalho inflexíveis e aspirações profissionais significam que muitas mulheres na Europa só estão
começando a ter filhos quando chegam perto dos 40 anos de idade.
"A sustentabilidade da população européia está em risco porque há muito poucas crianças nascendo. É uma ameaça para o futuro."
Infertilidade
Os homens também estão sendo afetados, disse o professor Ledger, com estudos mostrando que a qualidade e a quantidade de esperma parecem estar em declínio.
A obesidade e doenças sexualmente transmissíveis (DST) também contribuem para o aumento da infertilidade, disse ele.
A incidência de clamídia – uma infecção sexualmente transmitida que pode provocar a infertilidade – dobrou na última década, e 6% das meninas menores de 19 anos de idade são classificadas como obesas.
Segundo o professor, o aumento das DST entre as adolescentes pode provocar bloqueio das trompas em algumas delas, impedindo a gravidez pelo processo natural.
Também segundo o professor, "um jovem obeso é, quase sempre, um adulto obeso, e as mulheres obesas não
ovulam de forma tão eficiente".
"Os jovens de hoje vão se tornar os pacientes das clínicas de fertilidade de amanhã", disse.
Mas ele afirma que não é tarde demais para inverter essa tendência, e muitos países, como os escandinavos, por exemplo, estão introduzindo políticas para encorajar as mulheres a ter filhos mais cedo.
"As mulheres simplesmente não são mais tão férteis depois dos 35 anos", disse o professor Ledger.
"É mais simples e mais fácil fazer o que for possível para encorajá-las a ter filhos naturalmente, do que esperar até o ponto em que a fertilização in vitro pode ser necessária".
FONTE – BBC
 |
Sociedade britânica diz que recomendações priorizam saúde da mãe e do bebê.
Atualme- Mulheres obesas devem ser impedidas de fazer tratamento para infertilidade até que percam peso, dizem especialistas em medicina reprodutiva.
Segundo as novas recomendações da British Fertility Society (BFI) - sociedade britânica que representa profissionais ligados à medicina reprodutiva -, o tratamento de fertilização in vitro deve ser oferecido apenas a mulheres com
Índice de Massa Corporal inferior a 30, seja nos hospitais públicos ou nos privados.
O Índice de Massa Corporal (IMC) é reconhecido internacionalmente como o padrão para avaliar o grau de obesidade. Ele é calculado dividindo-se o peso (em quilos) pela altura ao quadrado (em metros).
Alguns especialistas em obesidade reagiram às recomendações dizendo que as medidas são discriminatórias, mas a British Fertility Society disse que as novas diretrizes são baseadas no que é melhor para a mãe e para o bebê.
"A obesidade reduz as chances de que uma mulher conceba naturalmente e diminui a possibilidade de que o tratamento para infertilidade seja bem-sucedido", disse Tony Rutherford, presidente do comitê que determina as políticas da BFS.
"(O peso) também aumenta o risco de complicações durante o tratamento para infertilidade e na gravidez e coloca
em perigo a saúde e o bem estar da mãe e da criança", acrescentou Rutherford.
Entre as "complicações" citadas estão a dificuldade em oferecer anestesia segura para as mulheres obesas durante
os procedimentos, assim como problemas para ver os ovários em exames de ultra-som.
Especialistas acreditam também que a obesidade aumenta os riscos de aborto após o tratamento de fertilização.
As recomendações da BFS não têm efeito legal na Grã-Bretanha, mas são seguidas por muitos profissionais da área.
O presidente do National Obesity Forum, o Fórum Nacional de Obesidade na Grã-Bretanha, Colin Waine, disse que acha as recomendações "preocupantes".
"Perder peso pode melhorar o sucesso do tratamento, e as mulheres deveriam ser conscientizadas disso, mas negar
o tratamento é discriminação", disse.
"Estamos seguindo por um caminho cada vez mais incerto, de racionar (o tratamento) com base no peso, mesmo quando mulheres obesas poderiam se beneficiar imensamente do tratamento", acrescentou Waine.
Cerca de 25% das mulheres britânicas são obesas, possuindo um IMC igual ou superior a 30.
Fonte: BBC Brasil
 |
Especialistas americanos em fertilidade estão sugerindo que o caso de Nadya Suleman e seus óctuplos constitui uma quebra de orientações médicas. Suleman, de 33 anos, deu à luz seis meninos e duas meninas por cesárea no dia 26
de janeiro no centro médico Kaiser Permanente Medical Center, em Bellflower (Califórnia). Ontem ela deixou o
hospital, mas os bebês continuam internados.
O acontecimento - só se tem notícia de mais um nascimento de óctuplos vivos nos Estados Unidos - provocou críticas após se revelar que Suleman é solteira, desempregada, vive com a mãe e já tem seis filhos - incluindo gêmeos. "Ela não é má, mas é obcecada por filhos. Adora crianças, é muito boa com crianças, mas evidentemente exagerou",
disse a mãe de Nadya, Angela Suleman, ao jornal Los Angeles Times. Ela decidiu pela implantação de mais embriões
na esperança de ter "só mais uma menina".
O nascimento de oito bebês está atraindo um conjunto diferente de preocupações da comunidade médica, especialmente da área ligada à fertilidade, já que sua missão é minimizar o alto risco, a gravidez múltipla e, com segurança, propiciar um bebê saudável. Está suscitando também questões sobre regulamentos que norteiam
médicos e clínicas nos EUA. "Foi um grave erro", disse Eleanor Nicoll, porta-voz da American Society for Reproductive Medicine, que junto com a Society for Assisted Reproductive Technology fornece orientações médicas para
tratamento de fertilidade.
Suleman não revelou como os bebês foram concebidos nem qual clínica esteve envolvida. O Kaiser informou não
estar envolvido na concepção. Normalmente os médicos usam a fertilização in vitro - pela qual os embriões são formados em laboratório e transferidos em pequeno número para o útero - e a inseminação intrauterina, em que os ovários são estimulados a produzir óvulos e depois é feita inseminação artificial. Em ambos, os médicos disseram que trabalham com dois a três embriões, no máximo quatro, mas não oito. Para uma mulher com mais de 30 anos, as diretrizes para fertilização recomendam a transferência de não mais que dois embriões para evitar riscos.
The Washington Post - Los Angeles
 |
Terça-feira, 29 de Agosto de 2006
Um novo método de congelamento rápido de óvulos deverá aumentar as chances de gravidez para uma quantidade maior de mulheres com problema de fertilização. A vantagem da nova técnica em relação às anteriores é que ela impede a formação de cristais de gelo, fazendo com que a célula seja muito menos danificada durante o processo e aumentando, consequentemente, as chances de uma gravidez. O sucesso no descongelamento foi de 94,5% e a
taxa de gravidez na fertilização in vitro chegou a 41,9%, apenas 0,6% abaixo da taxa de gravidez que utiliza óvulos frescos, ou seja, não congelados. Além disso, o método poderá evitar gravidez múltipla, comum em casos de fertilização artificial, além de afastar a mulher das questões éticas e morais que envolvem o congelamento de embriões, como o descarte e a possibilidade de doação de embriões excedentes de um tratamento de reprodução humana. A equipe de pesquisadores, liderada por Masashige Kuwayama, da clínica Kato Ladies, de Tóquio, congelou e descongelou 111 óvulos por meio do método de vitrificação rápida, que chamou de Cryotop e se contrapôs ao método até então largamente utilizado, o de congelamento lento. Antes do congelamento, a célula é mergulhada em uma pequena quantidade de uma substância protetora e em seguida armazenada em nitrogênio líquido. O processo dura poucos minutos. A principal vantagem da vitrificação(método de congelamento rápido) é que o volume da
solução anticongelante é tão reduzido que os estragos no óvulo são mínimos. "Esta técnica é um grande avanço
para a reprodução humana", acredita o especialista em fertilidade e reprodução humana e diretor da Ferticlin Raul Nakano, formado pela Universidade de São Paulo (USP) e com cursos de especialização nas universidades japonesas Keio e Kanazawa. "A maior dificuldade em congelar o óvulo sempre esteve ligada ao seu tamanho. Basta compará-lo ao espermatozóide para perceber do que estamos falando. Antes de congelar, é preciso tirar a água de uma célula, e para isso é colocada em uma substância, normalmente com sais de sódio, que puxe o líquido para fora", explica Mariangela Badalotti, professora de Ginecologia e de Bioética da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do
Sul e diretora do Fertilitat - Centro de Medicina Reprodutiva. "O problema é que, para uma célula deste tamanho perder toda sua água, ela precisava permanecer muito tempo mergulhada na substância, que a danifica." A médica lembra ainda que pelo método lento de congelamento também é possível alcançar taxas de sucesso muito boas. "O sódio é substituído por uma substância chamada colina que nâo entra no óvulo. Dessa maneira, obtemos um índice
de 90% de sobrevivência" afirma. De acordo com a médica, 13 crianças já nasceram pelo método. As maiores beneficiadas do novo método seriam mulheres com câncer capaz de danificar o ovário. Armazenando seu óvulo, poderiam engravidar após o tratamento. "Além disso, há uma nova tendência de comportamento de mulheres que postergam a maternidade em nome da carreira profissional", diz Nakano. O problema é que a fertilidade da mulher começa a diminuir mais rapidamente a partir dos 35 anos de idade. Com o óvulo congelado é possível realizar a fertilização in vitro quando o momento certo ou desejado chegar. Segundo Raul Nakano, a perspectiva é de que
até o final do segundo semestre deste ano o Cryotop comece a ser utilizado por algumas clínicas brasileiras. É importante lembrar que ainda existe um baixo número de nascimentos por meio do congelamento de óvulo. Apesar
de os estudos em animais não terem demonstrado problemas, ainda não há acompanhamento suficiente. Atualmente, existem no mundo cerca de 150 crianças nascidas por congelamento de óvulo, sendo menos de duas dezenas no Brasil.
O Estado de São Paulo

Estudo pode ajudar pacientes a decidir se congelam óvulos
Um estudo das Universidades de St. Andrews e de Edimburgo, na Escócia, mostrou que por volta dos 30 anos a maioria das mulheres já perdeu quase 90% de seus óvulos.
Pela primeira vez uma pesquisa conseguiu avaliar o declínio da "reserva dos ovários", o número em potencial de óvulos com que uma mulher nasce e que pode produzir até a menopausa, por volta dos 50 anos.
A nova pesquisa fornece mais provas para a teoria que afirma que mulheres nascem com um número fixo de óvulos e este número vai diminuindo com a idade.
"Os modelos anteriores analisaram o declínio na reserva dos ovários, mas não analisaram a dinâmica desta reserva a partir da concepção", afirmou um dos pesquisadores, Tom Kelsey, da Escola de Ciências de Computação da Universidade de St. Andrews.
"Nosso modelo mostra que, para 95% das mulheres, na idade de 30 anos apenas 12% da sua reserva máxima dos ovários ainda está presente, e na idade de 40 anos, resta apenas 3% desta reserva", disse.
A pesquisa foi divulgada na publicação científica Public Library of Science One.
Diferenças
O estudo coletou informações de 325 mulheres na Grã-Bretanha, Estados Unidos e Europa em idades diferentes e avaliou suas reservas de óvulos.
Segundo os pesquisadores, pode existir uma enorme diferença na quantidade de óvulos produzida por cada mulher. Algumas mulheres apresentam mais de dois milhões de óvulos em suas reservas enquanto outras, destinadas a iniciarem a menopausa mais cedo, têm apenas 35 mil óvulos.
A maioria das mulheres que atingem a menopausa em uma média de idade considerada normal, por volta dos 50 anos, apresentam uma reserva de 295 mil óvulos em cada ovário quando nascem.
Hamish Wallace, do Hospital de Edimburgo para Crianças Doentes e outro autor da pesquisa, afirmou que o estudo poderá ajudar a prever quais mulheres passarão mais cedo pela menopausa e quando é necessário congelar óvulos de mulheres que sofrem de câncer no ovário.
"Uma melhor compreensão da dinâmica da reserva do ovário vai nos ajudar a prever quais crianças e jovens, que passaram por tratamento de câncer, têm um risco maior de menopausa precoce. Estes pacientes poderão se beneficiar ao congelar seus óvulos antes do tratamento de câncer", afirmou.
Fonte: BBC Brasil
 |
|