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Um sonho que veio do frio

Tradutora Márcia congelou óvulo para driblar uma doença e esperar o melhor momento para a matenidade, recurso cada vez mais usado pelas mulheres. Neste domingo celebra o primeiro dias das mães com a pequena Maryana nos braços

O mesmo mundo que testemunha mulheres abandonarem seus filhos recém-nascidos em latas de lixo, compartilha com outras a corrida contra o tempo pela chance de ser mãe. Para estas,  o dia deste domingo, mais que uma data no calendário, é o símbolo de uma vitória contra as restrições da natureza e as imposições culturais. Que o diga a tradutora e intérprete Marcia Hara, a mãe com o bebê na foto desta página. Aos 39 anos, ela comemora seu primeiro Dia das Mães com a pequena Maryana nos braços. E  isso, graças a uma técnica que já fez história na ciência: o congelamento de óvulos.

Marcia integra um time feminino ainda pequeno no país. Ela é das poucas brasileiras que congelaram óvulos para ter chance de conceber. Casada há 13 anos com o empresário Celso Hara, adiou a maternidade até descobrir que, devido a uma endometriose, não seria mais tão fácil realizar o sonho.

Quando identificou o problema, começou a corrida pelas clínicas em busca do melhor método de fertilização. “E tão logo eu descobri as vantagens do congelamento, surgiram as dúvidas. Comecei a questionar se era isso mesmo o que eu queria e tive receio pela maternidade tardia”.

A partir da aposta na técnica, entretanto, foram só certezas, ressalta. Hoje, diz, está mais preparada emocional e financeiramente para um filho. “Criança precisa de atenção e antes eu simplesmente não tinha disponibilidade”, avalia.

Maryana, sua primogênita (sim, ela pretende ter mais filhos), tem hoje dois meses. A mãe é só orgulho: “Ela nasceu com 2,9 kg e hoje já pesa 7. Estou feliz porque o tratamento deu certo, a gravidez foi tranquila e a neném está bem”.

Otimismo / A vivência de Marcia Haras é cada vez mais comum às mulheres. O psicólogo e professor em Psicologia do Desenvolvimento Ético da Unesp, Nelson Pedro Silva, vê vantagens e desvantagens no fenômeno.

Saber o que quer, julgar-se mais madura (o que, necessariamente, não quer dizer que esteja), ter melhores condições financeiras e simbólicas para encaminhar o filho, bem como capacidade para assimilar as transformações causadas pela maternidade, são vantagens

Entre as desvantagens, a dificuldade para impor limites e a impaciência, embora a sociedade acredite que idade traz tolerância. “Justo por ser mais velha, ela pode não tolerar certas atitudes”, explica.

Na avaliação de Nelson, o impacto desse fenômeno comportamental tende a ser positivo a longo prazo. Ele lembra que a sociedade mudou e muda cada vez mais rapidamente. “Uma pessoa de 40, 50 anos vive hoje um excelente momento. È importante ter em mente que cada caso é um caso e que o importante mesmo vem depois da concepção e do nascimento: cuidar, educar e dar amor”, lembra.

Taxa de sucesso da fertilização é controversa
A técnica de congelamento de óvulos não é tão recente, mas, há uns sete, oito anos,  as chances de uma mulher engravidar por meio dela eram bem menores.  Só há  quatro anos ela começou a ser utilizada no Brasil com maiores índices de sucesso. Enquanto as clínicas de fertilização garantem que o percentual de fertilização propiciado pela técnica é de cerca de 38%, a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva já avaliou-o em 4% (2007).

O especialista em reprodução humana, Raul Nakano, explica que antes o congelamento era feito com a mesma técnica usada para congelar embriões. O problema é que ela provocava a aparição de cristais de gelo, danosos às estruturas do óvulo.

De uns quatro ano s para cá, conta o médico, a ciência chegou a um método que impede a formação dos cristais: utiliza-se um crioprotetor, substância que envolve o óvulo e o mantém intacto. O nome deste método é vitrificação.

“Ele nos permitiu preservar óvulos não só para adiar a gravidez, mas, sobretudo, para resolver problemas de infertilidade, entre eles, por exemplo, o causado em mulheres com câncer que passam pela quimioterapia”.

O médico explica que o ovário feminino é estimulado, por medicamentos, a produzir quantidade extra de óvulos. Em seguida, eles são retirados do corpo da mulher com uma agulha e tratados com a substância crioprotetora. A seguir, são mergulhados em nitrogênio líquido à temperatura de -196º C.

“A melhor fase para a mulher engravidar, biologicamente falando, é na casa dos 20 anos. Aos 35, a taxa de fertilidade começa a cair, justamente quando, hoje em dia, muitas começam a pensar em engravidar”, pontua o médico que, mensalmente, em sua clínica (www.ferticlin.com.br), aplica a técnica em cerca de vinte mulheres. A maioria faz o tratamento por causa da infertilidade, mas várias, embora férteis, optam pela técnica para poder engravidar em um momento mais oportuno.

15 mil reais é o que pode custar a vitrificação

Técnica pode ser opção para jovens com câncer
A vitrificação pode ser apresentada às mulheres jovens com câncer como alternativa à concepção. Tanto a quimio como a radioterapia, usadas para tratar a doença, podem deixar mulheres jovens estéreis. Índice de problemas é igual a de nascimento natural

Estudos mostraram que o índice de problemas de nascença entre crianças fruto de óvulos congelados por vitrificação é de 2,5%, porcentagem comparável àquela registrada nos nascimentos naturais.