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Diretor Clínico: Dr. Raul Eid Nakano - CRM 46.514

Kimoinsuflação – Insuflação Tubárica

Kimoinsuflação - Insuflação Tubárica

O mérito da criação e sistematização desse método exploratório deve-se a Rubin. Inicialmente ele se utilizou de ar atmosférico e de um aparelho com registro manométrico simples, porém o anidrido carbônico veio substituir o ar atmosférico e acoplou-se um quimógrafo ao sistema; além do registro nas fossas ilíacas e a referência de dor escapular pela paciente.

Através do quimógrafo podem-se observar as curvas típicas de permeabilidade e as alterações de traçado indicadoras de estenose, oclusão, espasmo e adesão.

Existem várias filigranas de interpretação, como, por exemplo, o diagnóstico de hidrossalpíngio e fator peritoneal, que denotam a experiência e o domínio da técnica de alguns esterileutas.

Preparação e época da realização: deve-se excluir, através de exame meticuloso, qualquer processo inflamatório e/ou infeccioso a nível genital. A época oportuna de realizar o exame é na primeira fase do ciclo menstrual, o mais próximo possível do período ovulatório, pois conseguem-se informações maiores sobre o comportamento tubário no ovotransplante; sabe-se que a dinâmica das trompas se altera sob influência do ciclismo hormonal, e dessa forma a realização da prova logo no início do ciclo não fornece informações concordantes com a dinâmica tubária por ocasião da captação e transporte do ovo.

Instrumental: o sistema é constituído de uma cânula cervical para a injeção de CO2 e de uma fonte de gás com controle manométrico e registro gráfico. Há vários modelos de cânulas cervicais, sendo as mais simples as de Palmer e Púlsford. Tem-se dado preferência à cânula de ventosa, sendo a mais conhecida a de Bemm-Fikentscher. Essa cânula é fixada ao colo pela produção de vácuo e evita-se o seu pinçamento, que provoca dor e pode causar espasmo reflexo. Calandra, na Argentina, utiliza uma sonda de Folley.

A cânula é acoplada ao insuflador, sendo os modelos mais conhecidos Grafax, Weissman, Atom, Rubin e Fikentscher-Semm.

Técnica de registro: uma vez acoplado o sistema, inicia-se a injeção de anidrido carbônico, devendo-se manter um fluxo entre 30 a 60ml/min. Observa- se uma curva ascendente que pode atingir uma pressão variável; se houver permeabilidade, ocorre inflexão a uma pressão de 60 a 80mmHg e as oscilações características determinadas pelo peristaltismo osteotubárico. Havendo espasmo prolongado ou obstrução, a pressão ascende até 200mmHg e então cai após alguns minutos de tentativas. Não devemos exceder 200mmHg pelos riscos de acidentes.

Resultados: a interpretação da insuflação tubária deve basear-se nos seguintes aspectos:

  • Forma e traçado do gráfico;
  • Ausculta da passagem do gás;
  • Algia referida;

A morfologia do traçado permite diagnosticar permeabilidade com peristaltismo normal, adesão, estenose, espasmo e oclusão tubária.

A ausculta deve ser feita nas fossas ilíacas, tomando-se o cuidado de não confundir sopros que provenham de escape da cânula cervical.
A dor referida pode localizar-se nas fossas ilíacas, e sempre que isso ocorrer de maneira intensa, com curva anormal no traçado, deve-se suspeitar de hidrossalpíngio no epigástrio e na região escapular em posição ortostática.

Indicações: a kimoinsuflação constitui um requerimento mínimo no estudo do casal estéril e deve ser feita de rotina.

Contra indicações: colpite e/ou cervicite; doença inflamatória pélvica.

Complicações: rotura de trompa por hiperpressão do CO2; disseminação de infecção; embolia gasosa quando se usa ar.

Referências:

NAKAMURA, Milton Shim Ithi; POMPEO, Antonio Carlos Lima. O casal estéril, conduta diagnóstica e terapêutica. Livraria Atheneu, Capítulo 5 Propedêutica do Fator Tubário. p. 19 à 21.